Ensaio com Juliana Sansana

Juliana Sansana, performer, atriz, bailarina, diretora de teatro e orientadora de performance. Pesquisadora de um tipo de linguagem que reúne as técnicas de Stanislawski e Brecht e os relaciona com o conceito dos sete chakras principais aproveitando suas características inerentes no momento da criação e análise crítica. O marco do seu trabalho é uma estética surrealista sustentada por metáforas e enigmas presentes em seus trabalhos artísticos.

“Pensando o corpo como morada, acredito ser ele nosso principal meio de comunicação. É nele que guardamos nossas experiências de vida através de memórias impressas na carne. Assim, sob a perpectiva da arte como algo que comunica, o corpo é a própria obra, revelada pela potência de sua dialética.”

” O sagrado Feminino é honrar a essência feminina através do despertar de uma consciência diretamente ligada ao ser e estar ‘mulher’ neste mundo. É dar conta das particularidades de um corpo que é um verdadeiro portal para esta existência. Chegamos à Terra através do corpo de uma mulher, que se configura em ciclos assim como a Lua, potente representante da feminilidade. “

“A água é um elemento essencialmente feminino. É na presença dela que concebemos e geramos vida. Ao mesmo tempo que acolhe, purifica e dissolve os pesos da vida. É a principal representante do segundo chakra, o umbilical ou SWADHISTANA em sânscrito, que justamente dá conta da propagação da espécie, de quem viemos e quem traremos. Estudo a água como meio de comunicação desde 2007, quando ela passou a fazer parte das minhas performances como principal meio de comunicação. Estou para ela, assim como um ouvinte está para seu mestre.”

“Para além de uma questão de gênero, o feminismo é um posicionamento político, uma atitude que dá conta de questões que refletem o lugar do feminino no mundo. Partindo de uma arte embuída desse aspecto, sua feitura e atuação passa a ser um ato engajado politicamente, que sugere uma transformação em ambas as partes, em quem faz e em quem assiste. Para mim a importância está justamente aí, tornar a arte como possibilidade de reflexão e questionamentos através de uma apreciação que supera o entretenimento. Aí percebemos o papel da arte na luta pela construção de um mundo plural. E isso me interessa, me move e me inspira; uma arte que toma partido, que expressa opinião e abala os padrões impostos pela História. A arte feminista é um gesto de sororidade.”

Obra: Roceira Doceira Parideira
Ato realizado pelas palavras de Cora Coralina.
Performers: Juliana Sansana, Luciana Ferreira e Malu Cavalcante. 
Concepção e orientação: Juliana Sansana. 
Fotos: Mariana Quintão.
Entrevista: Sheyla de Castilho

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