Ensaio com Verônica Bonfim

Artista brincante. Cantautora, atriz e escritora. Concilia a carreira artística com a acadêmica. É Doutora em Ciência Florestal e atua como professora e consultora na área socioambiental. Integra o elenco do premiado musical Elza, tem um livro infantil ‘A menina Akili e seu tambor falante’ (Editora Nandyala), voltado para a afroliteratura e está em processo  de pré produção do seu primeiro EP autoral, intitulado Nega Luxenta, cujo single está disponível nas plataformas digitais e YouTube.

“A Profa. Ângela Davis diz que “ quando uma mulher negra se movimenta, toda a sociedade se movimenta com ela”. A mulher negra está na base da pirâmide social, lutando para que essa mobilidade e ascensão sejam justas. O ativismo da mulher negra sempre existiu, não à toa, sobrevivemos à travessia transatlântica em navios, acorrentadas, violentadas, estupradas, vilipendiadas, objetificadas, desumanizadas… O que muda é o espaço geográfico, o contexto sociocultural ao qual ele se insere. Estamos testemunhando um movimento cada vez maior de mulheres negras, isso é fundamental para gerar um empoderamento no âmbito da coletividade e isso reverbera em toda a sociedade.”

“Tenho buscado uma forma de vida mais sustentável há alguns anos e levo isso pra sala de aula e troco muito com os estudantes. Menos consumo, menos resíduo, pesquisando práticas sustentáveis e humanizadas de quem produz, fazendo o dinheiro circular entre redes solidárias, especialmente de mulheres, negrxs e LGBTTQIA+, praticando os 7Rs (repensar, recusar, reduzir, reparar, reutilizar, reciclar e reintegrar). Nem sempre consigo executar na prática todos eles, mas o exercício de se repensar nesse lugar de consumo é urgente! Só tenho o que realmente preciso e a gente não necessita de tanto pra viver confortavelmente. O menos é mais. “

“Fernanda Montenegro disse uma vez numa entrevista, “você deve se perguntar se conseguiria viver se não fosse artista. Se sua resposta for não, é isso. “ O grande desafio é acreditar todos os dias, a ponto de não desistir, pois você vai pensar nisso todos os dias também. É desafiador e beira a loucura viver de arte num país como o Brasil, especialmente se você não está dentro de um “perfil” determinado por um sistema chamado “mercado”, onde tudo que envolve capital estará acima da arte, mas disfarçado dela. É preciso coragem!”

“Não vejo com otimismo os rumos que o país vem tomando com relação ao combate ao machismo e suas práticas, autorizadas pelo atual desgoverno. O machismo, assim como o racismo, mata e quando não mata, enlouquece, definha, apaga… Educação é base fundamental, mas não se basta sozinha. É possível contrapor essa lógica através do empoderamento feminino, onde mulheres não sigam reproduzindo e nem aceitando e sim combatendo o machismo de cada dia; investindo em políticas de segurança para as mulheres; campanhas de sensibilização e, principalmente, com justiça!  É cultural, pois ele é um dos mecanismos que sustentam o patriarcado e a supremacia branca, heteronormativa, masculina, mas toda cultura é dinâmica e passível de mudança. Oremos, em marcha e na luta!”

Fotos: Mariana Quintão

Entrevista: Sheyla de Castilho

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