Clementina de Jesus: o canto terno da África Mãe

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Nascida na comunidade do Carambita, bairro da periferia de Valença e tradicional reduto de jongueiros no sul do Rio de Janeiro, Clementina era filha da parteira Amélia de Jesus dos Santos e do capoeira e violeiro Paulo Batista dos Santos. Mudou-se com a família para a capital aos oito anos de idade, radicando-se no bairro de Osvaldo Cruz, tendo estudado em regime semi-interno o Orfanato Santo Antonio onde desenvolveu crença católica. Criança, aprendeu com sua mãe rezas em jejê nagô e cantos em dialeto provavelmente iorubano. Destas influências resultam um misticismo sincrético e uma musicalidade marcada pelo samba e cantos tradicionais de escravizados do meio rural.

Lá acompanhou de perto o surgimento e desenvolvimento da escola de samba Portela, frequentando desde cedo as rodas de samba da região. Em 1940 casou-se e mudou para a Mangueira. Trabalhou como doméstica por mais de 20 anos, até ser “descoberta” pelo compositor Hermínio Bello de Carvalho em 1963, que a levou para participar do show “Rosa de Ouro”, que rodou algumas das capitais mais importantes do Brasil e virou disco pela Odeon, incluindo, entre outros, o jongo “Benguelê”. Devota da Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, participava de festas das igrejas da Penha e de São Jorge, cantando canções de romaria. Considerada rainha do partido alto, com seu timbre de voz inconfundível, foi homenageada por Elton Medeiros com o partido “Clementina, Cadê Você?” e foi cantada por Clara Nunes com o “P.C.J, Partido Clementina de Jesus”, em 1977, de autoria do compositor da Portela Candeia.

A ternura de negra velha sorridente.

Todos com quem se envolvia tinham a compulsão de chamá-la Mãe, como a chamavam os músicos do musical Rosa de Ouro. Uma pessoa capaz de interromper um depoimento dado à televisão para discutir sobre o café com a moça que o servia. Um brilho especial nos olhos que cativou desde os mais humildes ao imperador Haile Selassiê. Talvez por ter trabalhado tantos anos como empregada doméstica e ter começado a carreira artística aos 63 anos, descoberta pelo poeta Hermínio Bello de Carvalho, nunca tratava ninguém de forma diferente devido à posição social.

O respeito ao peso ancestral de sua voz: uma África que estava diluída em nossa cultura é evocada subitamente na voz e nos cânticos que Clementina aprendeu com sua mãe, filha de escravos. Clementina surgiu como o elo perdido entre a moderna cultura negra brasileira e a África Mãe.

Clementina de Jesus também era conhecida como Tina ou Quelé e, mesmo tendo iniciado tardiamente sua vida artística e com uma curta carreira, é sem dúvida uma das mais importantes artistas brasileiras. Faleceu em função de um derrame[2] na Vila Santo André – Inhaúma – Rio de Janeiro, em 19 de julho de 1987 e apesar disso, hoje em dia apenas o disco Clementina e Convidados existe em catálogo.

Homenagens

Em 1982 foi enredo da Lins Imperial, agremiação que na época desfilava no Grupo 1B (Segunda divisão) do Carnaval do Rio de Janeiro.

Em 1983 foi homenageada por um espetáculo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com a participação de Paulinho da Viola, João Nogueira, Elizeth Cardoso e outros nomes do Samba. No mesmo ano de 1983, foi uma das homenageadas no enredo “A GRANDE CONSTELAÇÃO DAS ESTRELAS NEGRAS”, na Beija Flor de Nilópolis no carnaval do grupo 1A (Grupo Especial) no carnaval do Rio de Janeiro. Enredo esse desenvolvido por Joãozinho Trinta sendo campeã com a escola.

Frase

“Eu sou a mesma Clementina, moro na mesma casa em que sempre morei e sou felicíssima, está bem? Sucesso para mim só trouxe coisas boas. Inclusive amigos. Muitos amigos bons mesmo, amigos mesmo de fé.“ 

Em entrevista ao jornal O Pasquim, em maio de 1972

 

Assista ao video produzido pela TVE

 

 


Fonte: Wikipedia

TVE Brasil

YouTube mpbmusikavideos

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