Rose Marie Muraro: uma mulher impossível

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Rose Marie Muraro  nasceu no Rio de Janeiro em 11 de novembro de 1930 foi uma escritora, intelectual e feminista brasileira. Nasceu praticamente cega e sua personalidade singular deu-lhe força e determinação suficientes para tornar-se uma das mais brilhantes intelectuais de nosso tempo. É autora de mais de 40 livros e também atuou como editora em 1600 títulos, quando foi diretora da Editora Vozes.

Estudou física e economia, foi escritora e editora. Publicou livros polêmicos, contestadores e inovadores dos valores sociais modernos. Nos anos 70, foi uma das pioneiras do movimento feminista no Brasil. Nos anos 80, quando a Igreja adotou uma postura mais conservadora, passou a ser perseguida pelos ideais. A atuação intensa no mercado editorial foi fruto de sua mente libertária, cuja visão atenta da sociedade pode ser comparada a de muito poucos intelectuais da atualidade.

Primeiros anos e feminismo

Rose Marie dedicou sua vida à construção de um novo mundo, que ela descreveu como mais justo, mais livre. Ao conhecer o padre Helder Câmara se tornou membro de sua equipe. Os movimentos sociais criados por ele nos anos 40 tomaram o Brasil inteiro na década seguinte. Nos anos 60, o golpe militar teve como alvo não só os comunistas, mas também os cristãos de esquerda.

Em 1975, um grupo de mulheres reuniu-se na ABI, no Rio de Janeiro, para debater questões de gênero e fundar a primeira organização feminista brasileira — o Centro da Mulher Brasileira (CMB), do qual ela foi uma das fundadoras. Dez anos depois, o governo criaria o Conselho Nacional da Mulher, primeira iniciativa de levar para o Estado o debate sobre políticas públicas específicas das mulheres. Rose fez parte do conselho desde a sua criação até 2012. Sua história de militante, no entanto, começara muitos anos antes, em 1946, quando ingressou na Ação Católica ao lado de Dom Hélder Câmara.

A Editora Vozes foi um capítulo à parte na vida de Rose. Lá, trabalhou com Leonardo Boff durante dezessete anos e das mãos de ambos nasceram os dois movimentos sociais mais importantes do Brasil, no século 20: o movimento de emancipação das mulheres e a teologia da libertação — até hoje, base da luta dos oprimidos.

Premiações

Nos anos 80, presenciou a virada conservadora da Igreja. E em 1986, Rose e Boff foram expulsos da Editora Vozes por ordem do Vaticano. O motivo: a defesa da teologia da libertação, no caso de Boff e a publicação, por Rose, do livro “Por uma erótica cristã”.

Rose Marie Muraro foi eleita, por nove vezes, A Mulher do Ano. Em 1990 e 1999 recebeu da revista Desfile o título de Mulher do Século, e da União Brasileira de Escritores o de Intelectual do Ano, em 1994. O trabalho de Rose, como editora, foi um marco na história da resistência ao regime militar, e devido a este trabalho, recebeu do Senado Federal o Prêmio Teotônio Vilela, em comemoração aos vinte anos da anistia no Brasil.

A militante foi palestrante nas universidades de Harvard e Cornell, entre tantas outras instituições de ensino norte-americanas, num total de quarenta. Editou até o ano 2000 o selo Rosa dos Tempos, da Editora Record. Foi cidadã honorária de Brasília (2001) e de São Paulo (2004) e ganhou o Prêmio Bertha Lutz (2008). Pela Lei 11.261 de 30 de dezembro de 2005, passada pelo Congresso Nacional, foi nomeada Matrona do Feminismo Brasileiro.

Em entrevista para a revista IHU Online em 2013, aos 82 anos, afirmou: “A mulher muda a consciência dos filhos e mudando a consciência dos filhos, ela muda a consciência das gerações. O homem não tem a mesma relação com a criança, ele se dedica mais às coisas práticas, enquanto a mulher se dedica mais às pessoas. Então, se você muda uma mulher, você muda o correr das gerações. Eu tenho a honra de ter ajudado, com a minha obra, a mudar a cabeça das gerações.”

Na mesma entrevista contou: “Uma vez escrevi ao Lula um artigo chamado “Recado ao Lula”, logo no começo do primeiro governo, dando-lhe um esporro monumental, porque não tinha mulheres no seu ministério. Ele ficou tão assustado com a consequência que imediatamente começou a pôr mulheres aí e foi assim que mudou o Brasil. A crise exterior causada por motivos de manipulação do dinheiro pelos mais ricos não chegou ao Brasil, porque, em vez de trabalhar pelos mais ricos, a economia brasileira trabalha pelos mais pobres.”

Prezada Rose, de onde quer que esteja, acredite, isso infelizmente mudou.

 
Deficiência visual 

Em meados da década de 1990, Rose Marie desafiou os próprios limites quando, aos 66 anos, recuperou a visão com uma cirurgia e viu seu rosto pela primeira vez, afirmando: “Sei hoje que sou uma mulher muito bonita.”

Ao falecer no  Rio de Janeiro, em 21 de junho de 2014, deixou cinco filhos, doze netos e quatro bisnetos. Deixou também como herança cultural o Instituto Cultural Rose Marie Muraro (ICRM), que foi criado em 2009 e que tem como objetivo de salvaguardar o acervo da intelectual, de mais de quatro mil publicações.

Frases de Rose Marie

“O homem vê a mulher como se estivesse num frigorífico: um pedaço de nádegas, olhos grandes, cabelos pretos, seios fartos. Ele enxerga a mulher aos pedaços.”

“Mistura um pouco de loucura à sua sabedoria”

Assista ao vídeo produzido pelo Itaú Cultural

 


Fontes:

Wikipedia 

Revista IHU online

Blog do IMS 

YouTube Itaú Cultural

 

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